O Brasil, país de dimensões continentais, rico em recursos naturais e em diversidade cultural, enfrenta hoje um cenário que pode ser chamado, sem exagero, de uma vergonha nacional. Não se trata apenas de uma crise política, mas também de uma erosão moral, ética e social que corrói as bases do Estado e compromete o futuro de milhões de brasileiros.
A corrupção, velha conhecida do cotidiano nacional, segue naturalizada como se fosse rotina. Políticos e empresários desviam bilhões. O número já chega a quatro presidentes da Republica (Fernando Collor, Luiz Inacio Lula da Silva e Jair Bolsonaro) e sete governadores presos nos últimos anos.
Escolas funcionam em condições precárias, hospitais permanecem superlotados e famílias inteiras sobrevivem sem dignidade. A sociedade, que paga uma das maiores cargas tributárias do mundo, em troca recebe serviços insuficientes e ineficazes. Para agravar, instituições que deveriam ser guardiãs da democracia, muitas vezes, se revelam seletivas e politizadas.
A Justiça, em não raros episódios, aparece mais como instrumento de poder do que como pilar de equilíbrio. Cada novo escândalo estampado nas manchetes abre uma ferida que insiste em não cicatrizar.
O problema, no entanto, não se limita à esfera política. A crise social brasileira é profunda. Milhões de crianças não têm acesso a uma educação de qualidade, jovens encontram portas fechadas no mercado de trabalho e famílias convivem com a insegurança cotidiana nas ruas dominadas pela violência.
O crime organizado amplia sua influência em territórios onde o Estado perdeu o controle. E, em pleno século XXI, o saneamento básico, direito essencial, continua inacessível para quase metade da população. Como falar em desenvolvimento diante de tamanha desigualdade estrutural?
Ao mesmo tempo, o jogo político se converteu em espetáculo deprimente. Negociações escusas, alianças pragmáticas e troca de favores substituíram princípios e compromissos éticos. O povo, que deveria ser protagonista das decisões, tornou-se mero figurante. Esse distanciamento entre representantes e representados alimenta a apatia popular.
Muitos já não acreditam em mudanças, resignando-se à ideia de que tudo continuará como está. Essa descrença é perigosa: enfraquece a democracia e fortalece justamente os que desejam um povo calado e submisso.
Entretanto, parte da responsabilidade recai também sobre a sociedade. A transformação não virá de cima para baixo, mas de baixo para cima, quando os cidadãos compreenderem que voto, voz e participação são instrumentos poderosos.
Não é possível normalizar a reeleição de políticos envolvidos em escândalos nem aceitar a perpetuação de práticas corruptas como inevitáveis. A cidadania exige vigilância, cobrança e engajamento real.
O retrato vergonhoso que hoje nos expõe diante do mundo não é destino; é consequência de escolhas políticas e sociais que podem ser corrigidas. O futuro dependerá da coragem coletiva de não mais tolerar o que está errado e de resgatar o orgulho de ser brasileiro com base em justiça, igualdade e liberdade.
A vergonha nacional, afinal, não precisa ser permanente. Ela pode se tornar um ponto de virada — desde que o presente seja encarado com responsabilidade e que a sociedade se reconheça como protagonista da mudança que o país tanto precisa.
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