
No discurso de abertura da ONU, Lula se posicionou como defensor da democracia, da justiça social e da reforma do Conselho de Segurança. Denunciou o “genocídio em Gaza” e propôs uma “Aliança contra a Fome”, buscando mostrar o Brasil como protagonista global.
Mas por trás da retórica, surgem contradições. Um país carente de tudo: mais de 20 milhões de brasileiros ainda vivem em insegurança alimentar. Enquanto critica Israel por atrocidades, o Brasil tem 26% da população vivendo sob regras de facções – o maior índice da América Latina; e o governo mantém relações estreitas com regimes autoritários. A crítica ao protecionismo e a defesa de reformas internacionais soam mais como marketing político do que como propostas factíveis.
O discurso impressiona pelo tom firme, mas evidencia o dilema do Brasil: tentar projetar liderança moral enquanto enfrenta limites internos e externos.
A inclusão do ministro Alexandre Moraes na Lei Magnitsky, ao lado de líderes de facções criminosas e corruptos, acende um alerta sobre os abusos de autoridade no Brasil. O episódio mancha ainda mais a imagem de um país já marcado por escândalos e prisões de governadores e ex-presidentes, incluindo o próprio que passou 580 dias na prisão, condenado por corrupção passiva e lavagem de dinheiro. Em 2021, espantosamente, foi descondenado pelo STF, declarando que a Vara de Curitiba não tinha competência para julgá-lo. A mudança de local no entanto nunca aconteceu e isso permitiu que Lula recuperasse seus direitos políticos e concorresse à presidência em 2022.
Ambição não garante influência real — e a comunidade internacional sabe disso. Denúncias sérias e escândalos recentes ligados ao governo Lula permanecem. Entre eles, o rombo do INSS.
A Controladoria-Geral da União (CGU) identificou que apenas 28,9% dos casos de autorizações de descontos por associações que aparecem em contracheques de aposentados/pensionistas tinham documentação completa. O montante suspeito é de cerca de R$ 6,3 bilhões, entre 2019 e 2024, dos quais R$ 4,1 bilhões ocorreram nos anos de 2023–2024, já sob o governo Lula. O ex-presidente do INSS, Alessandro Stefanutto, foi exonerado; o ministro da Previdência, Carlos Lupi, pediu demissão em meio às pressões. A Justiça Federal deu prazo de 48 horas para que governo e INSS explicassem os descontos irregulares.
O escândalo do INSS causou pressão política e levou à demissão de titulares do governo. Há denúncias de que organizações investigadas por fraude no INSS foram recebidas várias vezes por ministros do governo Lula, fato que levanta suspeitas de proximidade institucional.
As pesquisas mostram queda acentuada de popularidade de Lula, com altos índices de desaprovação. Em uma pesquisa, mais de 50% dos brasileiros classificam o governo como “ruim” ou “péssimo”.
Em conjunto, esse cenário reforça uma percepção crescente de que, apesar das promessas, muitas práticas permanecem semelhantes às de governos anteriores — seja em termos de corrupção, de ineficiência ou de favorecimento de alianças políticas mais do que de gestão técnica.
O discurso ambicioso e retórica de soberania brasileira ficam somente nas palavras. Pelo andar da carruagem, esta é uma realidade muito distante para um país que teria tudo para dar certo se os políticos trabalhassem em favor do povo.